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[Review] Brigada Ligeira Estelar

RPGs de mesa são famosos por cenários medievais e batalhas épicas, no melhor estilo “capa & espada”, onde grandes guerras são decididas por duelos, e impérios caem perante a força de poucos aventureiros. E se tem uma forma de deixar tudo isso muito mais épico, é quando a luta é travada com ROBÔS GIGANTES !!!

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A cena rpg nacional nunca mais foi a mesma com o nascimento do 3D&T. Criado em 1994, a ideia do sistema era simplificar ao máximo (ok, nem tanto) as regras do clássico Dungeons & Dragons (D&D) e tornar o rpg de mesa mais acessível e convidativo à uma nova geração de jogadores. Assim nasceu 3D&T – Defensores de Tóquio, um livro que ao contrário dos sistemas mais tradicionais, investia com força na adaptação de personagens de animes e games, que na época estavam com a popularidade no ápice devido a exibição de Cavaleiros do Zodiaco.

BLE HussardosBrigada Ligeira Estelar é o mais novo cenário criado para as regras do 3D&T, onde o pano de fundo passa a ser uma aventura espacial  no melhor estilo space opera, com influências que vão desde o clássico anime de mechas Gundam, à obras literárias de Bernard Cornwell, e até a narrativa folhetinesca e ironicamente verdadeira de Cassiano Gabus Mendes.

A história de “Brigada…” se passa na fictícia Constelação do Sabre, um setor espacial que comporta 94 planetas, mas com apenas 19 deles possuindo condições de serem habitados por humanos. Todo esse território existe sob o comando da Aliança Imperial, que além de manter a ordem e a justiça em toda galáxia, deve protege-la de eventuais invasores. O que não é tarefa fácil, pois nem todos respeitam essa forma de governo criada por Silas Falconeri, um aventureiro que com sua força e carisma unificou os planetas com um sistema econômico próprio e leis que favoreciam não só os mais ricos, mas sim todos os abastados e desfavorecidos da galáxia. Uma atitude natural, já que o próprio Silas era um cidadão de classe baixa que ascendeu durante a guerra, fato que nutre ainda mais ódio entre os nobres. Inclusive o próprio ato de pilotar um robô gigante era algo impensado pra um cidadão comum antes da  unificação dos planetas, já que para isso era necessário ser advindo de uma escola militar, local que um “pobre” nunca poderia frequentar. Silas Falconeri democratizou até essa faceta do império, criando a Brigada Estelar Ligeira, um pelotão em que qualquer um podia ascender as mais altas patentes, dependendo unicamente de suas habilidades e não do dinheiro da sua família ou de influências politicas. Apesar de cada planeta possuir um regente, e esse tinha seu próprio exercito de robôs, (que nesse universo são chamados de cavalaria mecanizada ligeira) os membros da Brigada respondem apenas a Aliança Imperial, muitas vezes passando por cima de interesses politicos e lutando apenas pela justiça idealizada por Silas Falconeri.

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Acontece que a Constelação do Sabre não é composta apenas por guerreiros da Brigada e por nobres. Como em qualquer sistema politico, sempre haverão os que não concordarão com nenhum dos lados e brigarão por causa própria, então o jogador pode tanto ser um piloto de Hussardos da Brigada, quanto um pirata espacial, um nobre, um mercenário, um contrabandista…ou um Proscrito. Esses últimos são o grande mal que assola a Aliança atualmente, e o maior desafio dos jogadores desse cenário de 3D&T. Com tecnologia superior e métodos de combate vis, os Proscritos parecem viver em função da batalha e do massacre, não possuindo nenhum código de conduta louvável ou mesmo piedade de um inimigo caído. Tanto seus objetivos quanto sua origem são desconhecidos, o que é notório é apenas a sensação de terror que muitos soldados tem ao ver suas Quimeras, unidades mecanizadas diferentes de todas as conhecidas, com armas tão bizarras quanto seus temíveis pilotos Proscritos. E se a humanidade não se unificou realmente após uma crise interna, talvez um inimigo comum consiga fazer o que em vida o aventureiro Silas Falconeri não tenha conseguido em plenitude: a unificação de todos sobre um ideal de paz.

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Pensam que as poucas linhas acima dizem toda história ? Claro que não, o universo criado por Alexandre Lancaster é tão grande e complexo que seria impossível resenha-lo sem estragar muitas surpresas a quem ainda não adquiriu o material. Como todo livro de RPG, o Brigada Ligeira Estelar traz um pano de fundo completo para jogadores novos e antigos terem suporte para viverem um número ilimitado de aventuras, seja pilotando robôs gigantes ou duelando com os bons e velhos sabres de luz.

brigadaligeiraBrigada Ligeira Estelar
Editora: Jambô
Autor: Alexandre Lancaster
Preço: R$ 23,90
 

Nota: 9

Quase esqueci de mencionar que o livro possui todas as regras para que os jogadores possam adequar o conceito de robôs gigantes ao 3D&T Alpha, última atualização do sistema lançada pela Jambô. Mas admito que sou daqueles que deixa as regras mais a cargo do mestre, e apenas monta seu personagem e parte para aventura :)

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8 thoughts on “[Review] Brigada Ligeira Estelar

  1. Bem interessante! Apesar de, a primeira vista, soar meio genérico, como você destacou parece ter um universo e enredo bem vastos. Sou um jogador de RPG frustrado, sempre fui grande entusiasta desde que descobri os livros-jogos, mas sempre tive certa dificuldade de acesso de material e a “cena”, hehehe. Até que tivemos bastante material lançado no passado pela Devir e Revista Dragão Brasil, mas sempre tive dificuldade de juntar uma galera que realmente curtisse para jogar. O excesso de regras e esse tipo de coisa sempre espanta a maioria dos não iniciados. Hoje em dia, já não tenho mais interesse nenhum em RPG de mesa. Mas posso até conferir o livro só pela parte da história em si! :-)

  2. Cara, taí um tema que (absurdamente) não foi abordado em 3D&T como devia. Lembro apenas das regras para Mechas no defensores de Tóquio original e depois na adaptação para Cyberbots na DB 49 (se não me engano).

    Apesar de MEchas não ser meu tema favorito de RPG, acho que dá pra fazer algumas coisas legais…

    Na lista pra comprar!

  3. Eu sempre quis saber como era esse negócio de RPG, nunca consegui jogar.
    Tive uma amostra, curiosamente, no episódio de Natal da 6a. temporada de The Big Bang Theory, quem puder ver, vale a pena, apesar de muita coisa lá só faz sentido pros nerds da área.
    Por questões de falta de tempo, o mais próximo que vou conseguir é jogar alguns adventures em video-game. Estou jogando Mass Efect 3, mas estou achando o jogo muito arrastado e demorado.

  4. Boa noite, para poder jogar esse RPG além do livro o que eu preciso ter para começar?
    Se vem apenas o livro com as regras, o que os participantes terão em mãos?
    Quero começar a jogar RPG mas tenho dúvidas.
    Obrigado

    • Além do livro, só descolar gente pra jogar contigo ;) Já sairam 3 expansões dele, mas o básico pra montar uma campanha está aqui. Se tiver dúvida de regras e tal, dá uma acessada no site da editora Jambô q tem uns foruns bem legais sobre esse e outros títulos da empresa

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